Wolfram Alpha


Um novo site de busca, o Wolfram Alpha foi lançado nesta segunda feira (18/05/2009), pelo físico britânico Stephan Wolfram. Diferentemente de outros sites de busca, o site Wolfram Alpha foi idealizado para dar respostas diretas às perguntas dos internautas em vez de encaminhá-los a uma lista de sites que contenham a informação. O novo sistema ainda somente em inglês, busca por informações e dados e não por sites. A ferramenta de busca ainda soluciona equações matemáticas complicadas e organiza estatísticas.

Física nas Histórias em Quadrinhos


O prof. Wagner Wilson Furtado da Universidade Federal de Goiás e seu orientado Francisco Fernandes Soares Neto, aluno do curso de licenciatura em Física, desenvolveram uma História em Quadrinhos para atuar como recurso didático em sala de aula no ensino das Fases da Lua. O gibi criado, além da função de divulgação científica, é também uma ferramenta de ensino. O objetivo foi executar algo original, com uma abordagem inovadora e com grande potencial catalisador na comunicação entre os jovens e a Física. Outros fenômenos serão abordados em futuras edições.


Baixe a primeira edição Física nas Histórias em Quadrinhos

César Lattes



Físico, co-descobridor do méson de pí, Cesare Mansueto Giulio Lattes, Curitiba, 1924, graduo-se em física e matemática pela universidade de São Paulo em 1943.
Educou-se na Escola Americana, de Curitiba, entre 1929 e 1933, e no Instituto Médio Dante Alighieri, de São Paulo, de 1934 a 1938. Ingressou no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia e Ciências e Letras da USP, concluindo o Bacharelado em 1943. Encontrou no professor Gleb Wataghin a orientação para se iniciar na ciência quando publicou trabalho científico sobre a abundância de núcleos no universo. Interessou-se pela física experimental, dedicando-se ao estudo de raios cósmicos.
Em 1946, foi trabalhar no grupo de pesquisa do professor Cecil Powell, em Bristol, Inglaterra, onde já estava Occhialini Powell, cientista renomado que há muitos anos vinha desenvolvendo uma técnica experimental para observar partículas elementares que constituem o átomo, usando emulsões de filmes fotográficos. Em geral, todos conhecem o próton, o elétron e o nêutron. Mas há muitas outras, cada uma com uma função específica na construção do átomo. As emulsões dos filmes fotográficos servem para detectar partículas porque, se forem suficientemente sensíveis, registram com um risco escuro o caminho percorrido por elas quando o filme é revelado.
Foi então que, em 1947, deu uma contribuição singular. Ao analisar emulsões expostas nas altas montanhas dos Pirineus, ele percebeu traços que poderiam identificar uma partícula até ali não observada, embora sua existência tenha sido prevista antes pelo físico japonês Hideki Yukawa. Para confirmar as medidas - em física experimental sempre é preciso muitos testes para se ter alguma certeza de uma medida -, levou emulsões às montanhas ainda mais altas dos Andes bolivianos, a 5 mil metros de altitude. Para chegar ao Monte Chacaltaya, preparar os experimentos e realizar as medidas, era necessário carregar instrumentos delicados na neve, em lombo de animais, com pouco oxigênio por causa da altitude. Quanto maior a altitude, maiores as possibilidades de registrar a passagem de raios cósmicos - que vão se perdendo ao atravessar a atmosfera até atingir regiões mais baixas.
Em 1947, Lattes, Muirhead, Occhialini e Powell publicaram os resultados na revista Nature. No artigo, anunciaram a observação do méson pi - a partícula prevista por Yukawa -, também chamado píon. Meson, em grego, significa intermediário; a partícula observada recebeu o nome de méson pi pelo fato de sua massa ser intermediária entre a do elétron, muito leve, e a do próton, quase duas mil vezes maior. O méson é muito importante porque ajuda a manter estável o núcleo atômico, composto também de prótons, de carga elétrica positiva, e de nêutrons, sem carga elétrica. A interação do méson com os prótons e nêutrons permite que tantas cargas positivas dos prótons permaneçam perto umas das outras sem se repelir e desmontar o átomo.
Surpreendendo outros físicos, Lattes foi para Radiation Laboratory da Universidade da Califórnia (Berkeley), onde havia o maior acelerador de partículas, um sincrocíclotron com o eletroímã de 184", construído por Ernest Lawrence. Na realidade, Lattes decidiu ir para Berkeley quando passou pelo Brasil a caminho de Chacaltaya. Para ser aceito no Radiation Laboratory, precisou do apoio de pessoas influentes. Desde a Segunda Guerra, os laboratórios americanos de física eram "classificados", ou seja, estavam sob o controle e fiscalização da Atomic Energy Commission (AEC). A autorização concedida a Lattes não teria sido apenas uma cortesia de Lawrence para com Wataghin ou de Bernard Baruch, representante do governo americano na comissão de energia atômica da ONU, para com Álvaro Alberto, membro da delegação brasileira. Havia um jogo de interesses políticos entre o Brasil e os Estados Unidos: a chamada política de cooperação continental, a transferência de tecnologia para produção de energia nuclear, os minerais radioativos brasileiros... (ANDRADE, 2005)
Em 1948, ano seguinte ao da descoberta do méson-pi na natureza, os físicos Cesar Lattes e Eugene Gardner detectaram o méson-pi artificial, produzido em um ciclotron de 184 polegadas. Este acelerador de partículas, com energia equivalente a 380 MeV (milhões de elétrons-volt), era o equipamento com maior limite de energia da época. Lattes legou a Berkeley além de seu conhecimento sobre como analisar os traços nas emulsões fotográficas e tirar deles algum significado; emulsões especiais desenvolvidas em Bristol. O cientista brasileiro mostrou que mésons estavam sendo produzidos no acelerador de partículas. Ou seja: pela primeira vez o homem provava ser capaz de controlar a produção de tais partículas. É muito interessante notar que píons estavam sendo produzidos no cíclotron o tempo todo, mas ninguém havia pensado em medi-los - ou, se pensou, não soube bem como fazê-lo. Foi então que Cesar Lattes fez toda a diferença. (CRUZ)
No mesmo ano, junto com colegas bolivianos, cria em La Paz, as condições para o que viria a ser o Laboratório de Físicas Cósmicas, a partir de uma velha estação de observações meteorológicas, onde obtivera os registros dos eventos que levaram à descoberta do píon. Cedo esse Laboratório se transformava em centro científico do maior interesse internacional, abrigando em suas dependências equipamentos e cientistas de todas as partes do mundo que ali escreveram importantes capítulos do conhecimento sobre a radiação cósmica.
De volta ao Brasil, Lattes tornou-se professor da USP, que lhe concedeu o Título de Doutor Honoris Causa em 1948. Em janeiro de 1949, contribuiu para a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, que desempenhou importante papel na consolidação da pesquisa em física, do qual foi Diretor Científico. No mesmo ano, foi designado pelo Presidente da República, membro da Comissão incumbida de elaborar projetos e atos necessários à instituição do Conselho Nacional de Pesquisas CNPq, criado em 15 de janeiro de 1951, o qual deu novo impulso à pesquisa científica e tecnológica no Brasil, tendo contado com Lattes na composição de seu primeiro Conselho Diretor.
Deixa esses encargos em 1955, para uma curta temporada nos Estados Unidos. Recusando convites os mais honrosos, como o de substituir o falecido Enrico Fermi na chefia do seu Instituto na Universidade de Chicago, retorna ao Brasil dois anos depois para criar, na USP, um laboratório para estudos de interações a altas energias na radiação cósmica.
A partir de 1962 lidera a reunião de grupos brasileiros e japoneses num projeto de longo alcance sobre interações a altas energias na radiação cósmica: a Colaboração Brasil-Japão. Desde então os resultados pioneiros desse grupo, em domínios então fora do alcance dos mais potentes aceleradores em operação ou em projeto, ganharam elevado prestígio nos meios científicos internacionais, considerados como promissoras aberturas para expansão das fronteiras da física moderna.
Em 1967, é contratado pela Unicamp como Professor Regente Titular do Instituto de Física"Gleb Wataghin", que ajudou a criar, hoje talvez o único instituto de física no Brasil no qual há mais atividade em física experimental do que em física teórica - certamente em boa parte devido à direção que ele e outros, como Rogério Cerqueira Leite, Sérgio Porto e José Ripper, imprimiram à instituição nos anos seguintes. Responsável pela implantação do Departamento de Raios Cósmicos do referido instituto.Em 1986, A Universidade lhe confere os títulos de Professor Emérito e Doutor Honoris Causa.
Membro da Academia Brasileira de Ciências, da União Internacional de Física Pura e Aplicada, do Conselho Latino-Americano de Raios Cósmicos, das Sociedades Brasileira, Americana, Alemã, Italiana e Japonesa de Física, entre outras associações, ocupou numerosas vezes posições de conselheiro, quando contribuiu com sua experiência e visão pioneira para a formulação de políticas e diretrizes de ação.
Tem sido alvo de repetidas homenagens por parte de organizações oficiais e privadas no Brasil e no exterior e inúmeras vezes foi escolhido paraninfo ou patrono de contingentes de novos estudantes, formandos em ciências exatas e aplicadas. Entre prêmios, medalhas e comendas, recebeu, no Brasil, o Prêmio Einstein de 1950, o Prêmio Fonseca Costa, do CNPq, em 1958, a Medalha Santos Dumont em 1989, a Medalha comemorativa dos 25 anos da SBPC e placa comemorativa dos 40 anos dessa sociedade, o símbolo do Município de Campinas, em 1992, e muitos outros. Orgulha-se, particularmente, da iniciativa de dezenas de municípios brasileiros que lhe deram o nome a escolas municipais, bibliotecas, praças, ruas.
Sua atuação no continente sul-americano foi reconhecida pelo governo boliviano, que lhe concedeu o título de cidadão honorário daquele país, em 1972, pelo governo da Venezuela, que lhe conferiu a comenda Andrés Bello em 1977, e pela Organização dos Estados Americanos, que lhe outorgou o prêmio Bernardo Houssay, em 1978; em 1987 recebeu o Prêmio de Física da Academia do Terceiro Mundo.
É autor de mais de sessenta trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior. Após sua aposentadoria na UNICAMP, a sua energia indomável ainda o levava a iniciar a formação de um novo grupo de pesquisadores na Universidade de Mato Grosso do Sul, cujas primeiras contribuições em pesquisa apareciam em revistas internacionais de física.

O Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (UFG) leva o nome desse grande pesquisador.
http://www.if.ufg.br/
Adaptado de: http://www.unicamp.br/siarq/lattes/vida_obra.html